Telebras quer reagir à Starlink e plano bilionário já está na mesa do governo

Empresa pública testa acordos com fornecedores internacionais, amplia atuação em órbita baixa e sustenta que novo satélite geoestacionário é essencial para soberania de dados no Brasil.

INFRAESTRUTURAGOVERNOTECNOLOGIA

Por Redação InfoDot

4/28/20264 min read

Em setores estratégicos, tecnologia e autonomia caminham lado a lado. Quando a infraestrutura de comunicação entra em cena, cada escolha pode influenciar segurança, gestão e independência nacional. Pensando nisso, a Telebras acelera negociações para ampliar sua presença no mercado satelital e competir inclusive com a Starlink em contratos públicos.

A estatal brasileira conduz conversas e testes com ao menos quatro companhias estrangeiras que operam satélites de baixa órbita. Segundo o presidente Hermano Albuquerque, o movimento acompanha a mudança global desse segmento, impulsionada pelo crescimento das constelações espaciais voltadas à conectividade.

Entre os acordos já estabelecidos, a Telebras mantém parceria com a SES e também realiza testes com a chinesa SpaceSail. A empresa ainda segue em interlocução com a canadense Telesat e possui entendimentos firmados com a espanhola Hispasat. Pelo menos uma dessas iniciativas já está ativa.

Um exemplo citado pela companhia envolve o atendimento ao ICMBio, realizado por meio de estrutura satelital compartilhada com a SES.

Ao comentar a concorrência, Hermano Albuquerque afirmou: “Respeitamos todos os players. Existe mercado para todo mundo. Todo mundo sabe que a Starlink está aí oferecendo soluções, inclusive para algumas instituições de governo. E a gente respeita isso. O importante é que a gente alerte que é muito importante que o governo utilize soluções que garantam soberania e controle dos dados. Essa é a preocupação da Telebras. E o grande objetivo é que a Telebras seja o braço para levar essas soluções para o governo, para que o governo esteja sempre atento a utilizar uma solução que garanta governança e soberania. É o diferencial da Telebras”.

Paralelamente às parcerias comerciais, a empresa também discute a sucessão do atual satélite geoestacionário brasileiro, cuja vida útil estimada é de mais seis ou sete anos. A proposta em análise prevê um novo equipamento direcionado principalmente a comunicações estratégicas, defesa e aplicações civis.

De acordo com o executivo, entre três e quatro propostas completas já estão sendo avaliadas junto ao Ministério das Comunicações, ao Ministério da Defesa e à Casa Civil. Sobre a decisão esperada, ele declarou: “Já temos três ou quatro propostas completas que a gente está discutindo com o Ministério das Comunicações, com o Ministério da Defesa e com a Casa Civil. Nosso papel é dar a recomendação técnica. Quero acreditar que até o final deste ano o governo brasileiro vai tomar uma decisão sobre a possibilidade de construir um novo satélite geoestacionário”.

Os aportes previstos variam conforme capacidade técnica, frequências utilizadas e infraestrutura terrestre necessária. Segundo a Telebras, os valores podem ir de US$ 100 milhões a US$ 350 milhões, incluindo gateways, responsáveis pela comunicação entre solo e satélite.

Ao detalhar os custos, Hermano Albuquerque explicou: “Existem soluções satelitais que vão de US$ 100 milhões a US$ 350 milhões. É uma faixa bastante grande. Depende da capacidade do satélite, do throughput, das faixas de frequência que o satélite vai operar, do nível de governança. E nesse investimento, obviamente, a gente tem que incluir todos os gateways, que são as estações terrenas de comunicação com satélite”.

Na visão da estatal, há diferenças relevantes entre os modelos disponíveis. Enquanto os geoestacionários permanecem posicionados sobre o território nacional, os sistemas de baixa órbita utilizam satélites em deslocamento ao redor do planeta, o que, segundo a empresa, pode dificultar a governança das informações trafegadas.

Sobre esse ponto, o presidente afirmou: “É muito difícil garantir soberania de dados em um satélite que nem sempre se tem controle sobre ele. Quando você tem um satélite geoestacionário, que está continuamente sobre o Brasil, você tem controle de posicionamento, de navegação, de rastreamento desse satélite e, principalmente, de todos os dados que são trafegados por esse satélite. Isso garante que você tenha total soberania e total governança sobre os dados que são transmitidos. Por isso, o satélite geoestacionário é a única solução que pode garantir total governança para o Brasil”.

Esses debates estarão entre os temas do Fórum Telebras Conecta, marcado para 29 de abril, em Brasília, com organização da Network Eventos e inscrições gratuitas para servidores públicos.

Leia mais...