

UIT avança na padronização do 6G ao definir requisitos técnicos do IMT-2030
Parâmetros mínimos para o IMT-2030 orientam pesquisas e a padronização global das futuras redes móveis, com aprovação final prevista para dezembro.
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Por Redação InfoDot
3/23/20263 min read
À medida que a conectividade evolui, cresce também a necessidade de alinhar expectativas técnicas e garantir que as próximas gerações de redes respondam a demandas cada vez mais complexas. Nesse contexto, decisões internacionais passam a definir os contornos do futuro digital.
Especialistas em comunicações móveis da União Internacional de Telecomunicações chegaram a um consenso sobre os requisitos de desempenho técnico do IMT-2030, denominação atribuída ao 6G. A deliberação ocorreu em fevereiro no âmbito do Grupo de Trabalho 5D do Setor de Radiocomunicação da entidade e é considerada um marco na definição da próxima geração de sistemas de conectividade sem fio.
O relatório, ainda em fase de rascunho, estabelece 20 requisitos mínimos de desempenho para as redes futuras. Desses, sete são inteiramente novos e voltados a caracterizar as capacidades específicas que a sexta geração deverá oferecer. A aprovação formal do documento está prevista para dezembro deste ano, durante reunião do grupo de estudo responsável.
Segundo a UIT, o IMT-2030 não se limita a uma evolução incremental do 5G, conhecido internamente como IMT-2020. A nova geração foi concebida para viabilizar experiências imersivas e novas formas de colaboração, estruturando-se em seis cenários de uso: comunicação imersiva, comunicação hiperconfiável e de baixíssima latência, comunicação massiva, conectividade ubíqua, inteligência artificial e comunicação, além de comunicação e sensoriamento integrados.
A base conceitual do 6G havia sido apresentada anteriormente, em dezembro de 2023, com a publicação da Recomendação UIT-R M.2160. Na ocasião, a agência das Nações Unidas para tecnologias digitais definiu princípios considerados fundamentais para o desenho das novas redes, incluindo sustentabilidade, segurança e resiliência, a missão de conectar populações ainda desconectadas e o conceito de inteligência ubíqua.
De acordo com a entidade, a sexta geração de comunicações móveis tem como ambição permitir redes acessíveis, resilientes e energeticamente eficientes, com aplicações potenciais em áreas críticas como saúde, educação, agricultura e resposta a desastres. Nesse cenário, o 6G também é apontado como ferramenta estratégica para reduzir o persistente abismo digital que ainda exclui populações de países de baixa renda.
O novo relatório com os 20 requisitos mínimos funciona como uma fundação técnica unificada para o setor. Seu objetivo é possibilitar a avaliação justa e consistente das futuras candidatas a interfaces de rádio do IMT-2030, orientando a pesquisa e os processos de padronização global nos próximos anos.
A UIT ressalta que os parâmetros definidos estabelecem níveis mínimos de desempenho que as tecnologias concorrentes deverão comprovar. Eles não restringem abordagens de implementação nem constituem garantia de desempenho em ambientes reais, servindo como referência para a indústria e para laboratórios de pesquisa. O próximo passo no processo global será o desenvolvimento de diretrizes concretas de avaliação para propostas técnicas apresentadas por fabricantes, operadoras e institutos de pesquisa em todo o mundo.
O rascunho do relatório foi submetido ao Grupo de Estudo 5 do Setor de Radiocomunicação da UIT, responsável pelos serviços de radiocomunicação terrestre. A reunião considerada decisiva para a aprovação final está marcada para o dia 1º de dezembro de 2026, e até essa data o documento permanece acessível apenas aos membros diretamente envolvidos em sua finalização.
Em um cenário de transformação acelerada, a definição conjunta de padrões globais tende a determinar não apenas o ritmo da inovação, mas também o alcance real da conectividade no futuro.







