Vibe Coding: como a IA está redesenhando o desenvolvimento de software

Como o vibe coding está transformando o desenvolvimento ao permitir que humanos e IA criem soluções com velocidade, estratégia e consciência.

TECNOLOGIAINTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Por Bruno Jardim | PowerOfData

12/10/20256 min read

Vivemos um momento único na história da tecnologia, temos à disposição, literalmente ao alcance de um prompt, múltiplos “Einsteins”, IAs generativas capazes de escrever código, gerar automações, criar interfaces e resolver problemas complexos a uma velocidade inédita.

Mas essa nova era traz uma divisão que já começa a polarizar o mercado, de um lado, desenvolvedores experientes que rejeitam essa abordagem por vê-la como superficial ou amadora. Do outro, usuários de negócios que, sem qualquer background técnico, se sentem capacitados a montar aplicações inteiras apenas conversando com uma IA.
O termo que vem ganhando força para esse novo modo de programar é Vibe Coding.

De full code ao vibe coding, como chegamos até aqui
O desenvolvimento de software, por décadas, foi sinônimo de escrever código “na unha”. O chamado full code exige profundo conhecimento técnico, linguagens, estruturas, algoritmos, arquitetura, testes, performance, segurança.

Nos últimos anos, ferramentas low-code e no-code emergiram para acelerar a entrega e democratizar o desenvolvimento. Com interfaces visuais, lógica configurável e componentes prontos, elas permitiram que mais pessoas participassem do processo de criação de software, mesmo com pouca ou nenhuma experiência em programação.

E agora, com a popularização da IA generativa, chegamos ao próximo salto, vibe coding.

Mas afinal, o que é vibe coding?
Vibe coding é o ato de programar via linguagem natural com apoio de IA. Em vez de codificar linha a linha, o desenvolvedor ou até o usuário de negócios descreve o que deseja, e a IA gera o código correspondente. É uma forma de programação fluida, intuitiva, onde o "vibe" é mais importante do que a "sintaxe".

Mais do que apenas “copilotar”, a IA já consegue criar soluções completas, CRUDs, APIs, dashboards, fluxos de automação, testes automatizados e até deploys, com pouco ou nenhum código manual.

O mercado está aderindo, e os números impressionam
Esse novo paradigma não é apenas uma moda passageira. Ele está respaldado por dados concretos:

● O mercado global de plataformas low-code/no-code deve atingir US$ 187 bilhões até 2030, crescendo a um ritmo médio anual de 31% desde 2020. (Fonte, Index.dev)
● Em 2025, estima-se que 70% das novas aplicações nas empresas serão desenvolvidas usando alguma abordagem low-code ou no-code. (Fonte, AIMultiple)
● Um estudo real com centenas de engenheiros que usaram ferramentas de IA assistida mostrou,
○ Redução de 31,8% no tempo de revisão de código
○ Aumento no volume de código enviado para produção
○ Satisfação maior com o fluxo de trabalho (Fonte, arXiv)

Ou seja, o impacto já é mensurável em produtividade, velocidade e satisfação.

A polêmica, programador de verdade X vibe coder
Mas nem todo mundo está empolgado com essa mudança.

De um lado, os devs raiz torcem o nariz para a ideia de que alguém que nunca viu uma linha de código consiga criar aplicações complexas apenas “pedindo para uma IA”. Eles argumentam, com razão, que programar não é só gerar código, envolve lógica, arquitetura, segurança, testes, escalabilidade, manutenção.

Não é porque você consegue gerar um app com IA que você é um programador”, frase ouvida em praticamente todo Slack de desenvolvedores em 2025.

Do outro lado, surgem entusiastas e citizen developers, que agora conseguem montar soluções funcionais, às vezes até sofisticadas, sem depender da TI. Com ferramentas como GPT 4o, Claude 3 e copilots integrados às IDEs e plataformas low-code, tudo parece “simples” e acessível.

Com a IA, eu montei um sistema de CRM em um dia. Por que eu precisaria de um desenvolvedor?” Usuário de negócios, numa empresa real, em 2025.

Nem 8, nem 80, o risco dos extremos
A verdade está longe dos extremos.

Se abraçarmos a resistência cega do desenvolvedor tradicional, ficamos estagnados. O ego técnico pode ser traiçoeiro, encontrar uma IA que escreve código melhor do que você pode causar uma confusão mental considerável, e até uma crise de identidade.

Mas o oposto também é perigoso. Construir uma aplicação robusta sem qualquer noção de engenharia, segurança, boas práticas ou compliance pode levar a,
● vazamentos de dados
● código ineficiente ou inseguro
● falta de escalabilidade
● inconsistência entre ambientes
● riscos éticos e legais

Como já bem se sabe, a IA é ótima para gerar código, mas ainda é péssima em assumir responsabilidade.

O segredo está no equilíbrio, estratégia e consciência
Este é o ponto central, não se trata de substituir programadores, mas de ampliar suas capacidades.

Para os devs,
Vibe coding não é o fim da profissão. É o início de uma nova forma de trabalhar, mais estratégica, mais criativa, mais produtiva. A IA pode cuidar do repetitivo, e você pode focar em arquitetura, design, lógica de negócio, integração, QA.

A IA não vai te substituir. Mas quem souber usá-la melhor do que você, vai.” Parafraseando Andrew Ng.

Para os negócios,
Não ache que você pode ignorar a TI e fazer tudo sozinho com a IA. Sem governança, sem arquitetura sólida e sem validação técnica, sua aplicação pode virar um castelo de cartas, e desmoronar no primeiro pico de uso.

Para os líderes,
Esse é o momento para criar ambientes híbridos, onde pessoas técnicas e não técnicas colaboram com fluidez. Onde a IA acelera, mas não cega. Onde a qualidade e o risco são gerenciados de forma consciente.

Boldar, a postura que separa os líderes dos espectadores
Mais do que uma gíria, boldar é uma mentalidade. É agir com ousadia estratégica, romper com o conformismo e abraçar a disrupção com responsabilidade. Boldar é recusar a paralisia do “sempre foi assim” e não se esconder atrás da falsa segurança da zona de conforto.

É entender que inovar de verdade exige coragem para experimentar, humildade para aprender e visão para liderar.

Se o vibe coding é o novo território que a IA abriu, boldar é a única forma sensata de atravessá-lo, com intenção, inteligência e propósito.

O momento é agora, e ele não vai esperar
Estamos diante de uma janela rara da história, uma tecnologia capaz de amplificar radicalmente o potencial humano, disponível para qualquer um, 24h por dia. Uma IA que pode gerar, revisar, testar, ensinar, explicar, e até argumentar.

Mas tudo depende de como você interage com ela.

Saber pedir importa.
Saber avaliar o que a IA retorna é fundamental.
Saber extrair valor de forma contínua é diferencial.

É por isso que nem o purismo técnico, nem o deslumbramento raso com a IA vão vencer esse jogo.

Conclusão, quem lidera é quem encontra o meio do caminho
Quem rejeita o vibe coding, fica para trás. Quem acha que ele vai fazer tudo sozinho, também.

A vitória, aqui, como sempre, está no meio do caminho,

Entender a tecnologia e seus limites
Aproveitar seu poder com responsabilidade
Equilibrar produtividade, qualidade e segurança
Alinhar tecnologia com estratégia de negócio

No fim, vencer o jogo significa,
● aumentar faturamento
● reduzir custos
● entregar mais rápido
● e ainda melhorar a qualidade de vida de quem desenvolve e de quem utiliza as soluções.

E você? Vai boldar ou vai travar?


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Bruno Jardim é co-fundador e CTO na PowerOfData, empresa desenvolvedora de soluções em dados e tecnologia para diversos segmentos de negócios do mercado.

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