

Você entrega tudo, mas algo está errado: os 7 sinais ocultos do burnout
Sinais discretos como mente confusa, lapsos de memória e irritação fora do trabalho podem indicar esgotamento, mesmo quando os resultados seguem elevados.
MERCADOSAÚDE
Por Redação InfoDot
2/18/20263 min read
A rotina pode seguir aparentemente intacta enquanto, por dentro, algo já começa a falhar. Nem todo esgotamento se anuncia com quedas abruptas ou afastamentos imediatos. Em muitos casos, ele avança em silêncio, mascarado por metas cumpridas e agendas lotadas.
Esse é o quadro descrito como burnout de alta performance, situação em que o profissional mantém entregas consistentes e imagem de controle, apesar de um desgaste mental progressivo. Diferentemente da forma mais conhecida da síndrome, não há necessariamente interrupção das atividades ou perda evidente de rendimento.
Segundo a neuropsicóloga Julie Hook, da Northwestern University, em entrevista à Inc., o padrão é recorrente entre pessoas altamente exigentes consigo mesmas e pouco inclinadas a expor limites. Nesses casos, o cérebro permanece por longos períodos em “modo execução”, enquanto capacidades como foco, memória e regulação emocional começam a apresentar falhas.
Os impactos tendem a surgir de maneira sutil. Confusão mental frequente, esquecimentos e dificuldade para lidar com tarefas simples aparecem mesmo quando projetos complexos continuam sendo concluídos. A produtividade se mantém, mas o custo cognitivo se torna cada vez maior.
Hook observa que a diferença entre uma fase de estresse e o burnout de alta performance está na duração e na sensação constante de operar no limite. Não se trata apenas de sobrecarga momentânea, mas de um estado prolongado de tensão sem pausas reais.
Entre os sete sinais silenciosos apontados pela especialista estão: tarefas simples que passam a exigir esforço desproporcional, ainda que atividades complexas sigam sendo entregues, dias repletos de compromissos, mas com pouca percepção de progresso, levando à predominância de demandas reativas, mente confusa recorrente, com dificuldade de raciocínio claro, autocontrole preservado no ambiente profissional e irritação fora do expediente, especialmente em casa, manutenção da produtividade acompanhada de desconexão emocional e sensação de “modo automático”, conhecimento técnico intacto, porém com prejuízo na memória de trabalho, resultando em esquecimentos e distrações, e a impressão de estar “atuando” como si mesmo, com distanciamento da própria rotina e da vida pessoal.
Especialistas destacam que a memória de trabalho costuma ser uma das primeiras funções afetadas pelo estresse prolongado. Assim, é possível conservar competência técnica enquanto detalhes cotidianos começam a escapar, como compromissos, objetos ou pequenas tarefas.
Há ainda um componente neurocognitivo relevante. Regulação emocional e controle cognitivo compartilham recursos cerebrais, o que ajuda a explicar por que muitos conseguem sustentar postura e desempenho no expediente, mas demonstram menor tolerância e energia emocional ao fim do dia.
O alerta central é que o burnout nem sempre se manifesta como ruptura imediata. Muitas vezes, instala-se de forma gradual, silenciosa, enquanto os indicadores de produtividade continuam elevados.
Entre as recomendações mencionadas estão a adoção de períodos efetivos de descanso, sem estímulos contínuos, a diminuição do acúmulo de pendências e a revisão de expectativas pessoais excessivamente rígidas.
Ignorar sinais sutis pode custar mais caro do que qualquer meta não atingida.






