Você já reparou que homens e mulheres buscam ajuda financeira de formas bem diferentes? Estudo explica por quê

Levantamento do Pagou Fácil analisou buscas no Google feitas entre julho de 2025 e maio de 2026 e mapeou diferenças no comportamento financeiro entre homens e mulheres no Brasil.

CULTURAECONOMIA

Por Redação InfoDot

8/11/20263 min read

A maneira como alguém procura ajuda com as finanças já revela em que estágio do problema essa pessoa se encontra. Buscar por "endividado" costuma sinalizar prevenção; buscar por "inadimplente" já indica uma situação de atraso. Um novo estudo sobre o comportamento financeiro dos brasileiros parte exatamente dessa diferença.

O pano de fundo desse comportamento é o nível de endividamento das famílias brasileiras. Em 2026, essa taxa chegou a 49,9% da renda das famílias, conforme apurou o Banco Central. Já a parcela da renda destinada ao pagamento de dívidas atingiu o maior patamar desde 2005.

Esses números explicam o crescente interesse por alternativas capazes de regularizar as contas e devolver o acesso ao crédito. A forma de buscar essa ajuda, porém, varia conforme o gênero, é o que mostra um levantamento do Pagou Fácil, plataforma da Paschoalotto voltada à negociação de dívidas. A análise cruzou pesquisas feitas no Google, no Google Notícias e no Google Shopping entre julho de 2025 e maio de 2026.

O levantamento cruzou as buscas pelos termos "inadimplente" e "endividado" e identificou uma divisão nítida de comportamento: a procura por "inadimplência" concentra-se mais entre as mulheres, enquanto o termo "endividamento" desperta maior interesse nos homens. No período avaliado, as buscas gerais por "endividamento" subiram 83%, ao passo que as pesquisas por "inadimplência" cresceram 22%.

Por trás desses números também está uma mudança na estrutura das famílias brasileiras. A FGV aponta que mulheres respondem por mais de 41 milhões de lares no país, sendo as principais responsáveis financeiras em mais de 50% dos domicílios brasileiros.

Essa maior presença na gestão financeira convive, porém, com uma desigualdade salarial persistente. Entre as mulheres que trabalham, 75% recebem até dois salários mínimos, patamar mais alto do que o observado entre os homens. Os índices de inadimplência seguem direção parecida: 36% das mulheres estão com o nome negativado, ante 30% dos homens.

Vale reforçar que endividamento e inadimplência, embora tratados como sinônimos no dia a dia, descrevem situações distintas. Estar endividado significa manter compromissos financeiros em dia, como financiamentos, empréstimos e parcelamentos. Já a inadimplência acontece quando essas contas não são quitadas até a data de vencimento, o que gera juros, multas e pode resultar em restrições de crédito.

"Essa diferença importa na hora de agir. Quem está apenas endividado, mas em dia, ainda consegue reorganizar o orçamento de forma preventiva. Já quem está inadimplente precisa negociar diretamente com credores para renegociar dívidas, reduzir encargos e recuperar o nome", afirma Geovanni Borsetto, Superintendente de Marketing & Comunicação do Pagou Fácil.

As consequências das dívidas ultrapassam o campo financeiro. O acúmulo de contas em atraso tende a gerar ansiedade, estresse e insônia, alimentando um ciclo difícil de interromper: quanto maior a pressão sobre o orçamento, menor costuma ser o espaço para reorganizá-lo.

Recuperar o equilíbrio financeiro começa por dimensionar o problema com precisão. "O primeiro passo é fazer um diagnóstico completo da situação, mapeando todas as fontes de renda, despesas fixas e dívidas. A partir desse levantamento, é possível identificar onde ajustar o orçamento e definir prioridades, especialmente em relação às dívidas com juros mais elevados", explica o executivo.

A orientação passa por reduzir gastos não essenciais e represar novos compromissos até o orçamento ficar equilibrado, além de negociar as dívidas já existentes. "Também é importante procurar bancos, financeiras e demais credores para negociar condições de pagamento compatíveis com a realidade financeira do consumidor. Com planejamento, disciplina e acordos sustentáveis, é possível reorganizar as finanças e retomar o controle do orçamento", conclui Geovanni Borsetto.

Fazer desse acompanhamento uma prática contínua, e não apenas uma resposta a crises pontuais, tende a manter as finanças estáveis por mais tempo, favorecer a recuperação do score de crédito, diminuindo a chance de um novo ciclo de inadimplência.

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