Wi-Fi movimenta R$ 620 bilhões no Brasil e Wi-Fi 7 pode destravar US$ 10 bilhões em investimentos

Infraestrutura sem fio já movimenta US$ 124 bilhões no país e nova geração pode gerar receitas adicionais, cortar custos e elevar o PIB em até 1,2% ao ano.

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Por Redação InfoDot

3/4/20263 min read

A economia digital avança na mesma velocidade da conectividade que a sustenta. À medida que aplicações ficam mais intensivas em dados e a inteligência artificial amplia sua presença, a pressão sobre as redes cresce de forma exponencial. Nesse cenário, o papel do Wi-Fi no Brasil e a chegada do Wi-Fi 7 ganham relevância estratégica.

O impacto econômico já é expressivo. Em 2025, o valor associado ao Wi-Fi no país alcançou US$ 124 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 620 bilhões, considerando uso da conectividade, fabricação de equipamentos, desenvolvimento de aplicativos e presença da tecnologia em ambientes públicos e privados. Globalmente, a indústria superou US$ 5 trilhões no mesmo ano, segundo dados da Wi-Fi Alliance.

As projeções indicam que o avanço para o Wi-Fi 7 poderá trazer mais de US$ 10 bilhões em investimentos nos próximos três anos, caso o Brasil avance na adoção da nova geração. A estimativa faz parte do estudo “Desenvolvimento da Indústria de Wi-Fi no Brasil (2026-2028)”, apresentado nesta segunda-feira, 2/3, durante o MWC 2026, em Barcelona. O levantamento foi produzido em parceria pela Huawei e pelo IPE Digital, com lançamento realizado no estande da Softex.

Além do potencial de investimentos, a expectativa é de receitas adicionais anuais de até US$ 3 bilhões na venda de equipamentos e até US$ 1,5 bilhão em novos serviços. O estudo também aponta que empresas poderão reduzir custos operacionais em até 30% com a evolução tecnológica.

O crescimento da inteligência artificial é apontado como vetor central dessa transformação. Em 2030, há uma projeção de termos 10 bilhões de Agentes IA, mais que usuários Internet conectados à rede. Isso vai exigir mais consumo, mais tráfego. O Wi-Fi tem de avançar, pontua o diretor de Marketing da Huawei Brasil, Carlos Roseiro.

Ele reforça a comparação numérica prevista para o fim da década. Em 2030, os agentes IA serão 10 bilhões enquanto os usuários Internet serão 8 bilhões. Isso vai mudar o consumo do tráfego da Internet. Vai exigir mais consumo, mais tráfego. O Wi-Fi tem de avançar para suportar a demanda, pontua o diretor de Marketing da Huawei Brasil, Carlos Roseiro.

Atualmente, entre 5% e 10% da base de aparelhos celulares já é compatível com Wi-Fi 7. “Podemos avançar mais. Os provedores Internet querem diferenciação de serviços. Eles querem oferecer gigabit aos clientes. O Wi-Fi 5 não permite”, adiciona.

Apesar de conversas em andamento, ainda não há pedidos oficiais de operadoras ou provedores de internet no Brasil para adoção da nova tecnologia. “A evolução será natural. O Wi-Fi 7 chegará rápido ao Brasil por conta da era da IA”, adicionou.

Mesmo com 47 milhões de usuários de banda larga fixa e presença de Wi-Fi em 91% das residências brasileiras, a experiência prática ainda enfrenta limitações. Gargalos nas redes locais, especialmente em ambientes com alta densidade de dispositivos ou aplicações intensivas em dados, restringem o desempenho real da conexão.

O Wi-Fi tornou-se a principal interface de acesso à internet para a população e para as empresas. O Wi-Fi 7 representa uma evolução fundamental para transformar a infraestrutura existente em uma plataforma capaz de suportar inteligência artificial, cidades inteligentes e novos modelos de negócio digitais, afirma Carlos Roseiro, ICT Marketing Director, Huawei Brasil.

A análise indica ainda que a adoção do Wi-Fi 7 poderá criar entre 150 mil e 200 mil empregos e elevar o PIB brasileiro em até 1,2% ao ano, ao viabilizar iniciativas como educação digital, telemedicina, automação industrial e agricultura conectada.

O avanço da inteligência artificial impõe um novo ritmo à infraestrutura, e a capacidade das redes acompanhar essa transformação definirá o próximo ciclo de crescimento digital.

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